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Avatar de Claudio Oliver

Querido Ricardo. Há anos dou aulas sobre os povos da floresta, e como brasileiro sempre usei a carta de Caminha (ontem dei exatamante essa tarefa a um grupo de alunos no IPSantarém) deve ser lida para ver a cegueira de quem, na floresta, só vê a negação do manejo, da intencionalidade e da manutenção da abundância - de onde decorre a generosidade que permitiu estrangeiros chegarem, como sempre chegavam por dez milenios, e serem recebidos como mais um que chegava numa cornucópia de recursos alimentares e existenciais. Ver um português usar a mesma linha que uso "Eles não lavram nem criam", me deu uma alegria IMENSA. Eles não lavravam... por que para ter abundância isso não é necessário, e não criam, por que faziam seu "gado" se manter por perto sem cercas, pela comida disponível. Hoje, trabalho com etnozootecnia, com as galinhas autóctones portuguesas, e quando cheguei por aqui, e decidi não pressupor, mas observar, me dei conta pela etnografia, que aqui, antes de lá, vivia um povo da floresta, a fagossilva, um povo que não era um, mas vários, que não colonizava, mas ocupava e vivia... até que seus colonizadores romanos, visigodos e mouros levaram com eles a riqueza das matas, e deixaram tudo para que os nobres depois continuassem primeiro colonizando e desmatando (as duas coisas andam juntas) , primeiro seu próprio povo, depois ilhas e outros continentes, navegados em mata destruída e em floresta movida a velas. Bem... estou com sono, minha escrita deve estar confusa, e aqui é o teu espaço... e não o do comentarista, por isso vou parar por aqui... como gostava de o encontrar e conhecer um dia...você, muitas vezes, me cria um dia bom com teus textos... hoje lavou-me a alma. Quem sabe um dia nos achamos...

Avatar de Hugo Policarpo

Muito obrigado Ricardo - mais uma vez parece-me muito bem escrito!

Faz demasiado sentido para que possa ser ignorado - a mudança para a agricultura regenerativa é um imperativo.

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